4 de novembro de 2016

Coluna da Ravs: Padrões. Pra quem?

                    Quando eu tinha 15 anos, eu era uma pessoa extremamente magra.

                    Como quase toda adolescente, que busca conseguir se conhecer, se identificar e se construir, mesmo que sem saber disso, eu me sentia muito desconfortável com o meu corpo.
                    Eu percebia como as meninas "bonitas de corpo" eram mais olhadas pelos meninos. Mais desejadas. Mais comentadas. Mais populares...
                    Eu não tinha corpão. Era magra. Magra mesmo.
                    Lembro até de, certa vez, pedir para Gabbe pesquisar (pois na época, além de tudo, era mais do que pobre e não tinha internet e muito menos computador em casa) alimentos que me fariam engordar, como se isso pudesse acontecer com um passe de mágica, só por causa da minha força de vontade de querer "ter bunda".
                    Pois bem. Isso abalou muito minha auto-estima. Até cheguei a gostar de um menino de outra sala, que chegou a comentar com a minha outra amiga que, só ficaria comigo se eu renascesse pelo menos 10 vezes, e fizesse umas 15 cirurgias plásticas.
                    "Dá pra ser modelo" alguns diziam. E até fui mesmo! Participei de concursos como o quadro "Menina Fantástica" do Fantástico, e até fiquei entre umas das pré-finalistas de cidade. Não fui selecionada, mas ainda assim continuei tentando por algum tempo. Participei de alguns concursos aqui de Brasília mesmo, sempre como finalista, e nunca como vencedora (hoje eu entendo que eu sempre fui vencedora. Talvez, se eu tivesse ganho algum desses concursos, hoje eu estaria morta, ou com anorexia. Então tudo acontece por um motivo. Eu me sinto vencedora, por aceitar o meu corpo e amar cada parte dele).  Fiz bastante fotos, desfiles, performances, etc...
                    Mas eu era modelo para quem afinal? Modelo de que?
                    Todos os dias o meu desejo de ser um pouco mais gordinha ia dormir comigo, na mesma cama, dividindo o mesmo travesseiro.
                    Acontece que o tempo passou, a depressão pesou um tapa forte na minha cara, a bulimia, pela cobrança de me manter magra contra a minha vontade me fez emagrecer mais ainda, e isso virou um ciclo doloroso.


                   E ainda bem que o tempo passa.

                   Desisti de ser modelo. Me casei. Fui mãe. Me separei. E até consegui engordar. Mas nunca fui uma mulher de "porte grande", apesar de alta. Digo, nunca fui de ter seios fartos, quadril largo, cintura fina, ou bunda grande.

                   Sou magra.
                   Só que hoje, aceito o meu corpo.
                   Eu entendi nesse meio tempo, que ter peito ou bunda não vai mudar a sua beleza. Todo mundo é belo. Grande ou pequeno. Magro ou gordo. O que importa mesmo é nos sentirmos bem com o que temos.
                    E eu me sinto extremamente bem, não tendo aquele corpo de "panicat", tão desejado pelos meninos.
                    Eu me sinto bem na singularidade do meu corpo.
                    O nosso corpo é uma máquina incrível, que inclui os nossos sentidos, emoções, pensamentos... Todos somos lindos de uma forma ou de outra.
                    Uma hora, eu acredito, a humanidade vai se libertar disso, como eu me libertei.
A liberdade interna. De se sentir ótima, mesmo com tanto padrão. Mesmo com tanta imposição. Mesmo com tanto comentário negativo.
                   No dia que vocês descobrirem isso, me chamem para um café, e iremos conversar sobre a nova sensação de nos sentirmos tão lindas e únicas.


               

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4 comentários:

  1. Adorei o texto! É importante se conhecer e entender o seu corpo!


    www.generoproibido.blogspot.com.br

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  2. Já tive muitos problemas de auto estima por conta do meu corpo, por não me amar nem em aceitar, não que eu esteja totalmente livre disto hoje, porém já tive situações realmente ruins, em que me senti mais do que horrorosa. Há um tempo resolvi correr atrás da minha felicidade sabe? Fui atrás principalmente de melhorar minha saúde e me sentir melhor. Comecei a praticar atividades físicas, e não vou dizer que emagreci muito, porque não o fiz, apenas torneei meu corpo um pouco. Mas o que aprendi com o tempo foi que independente da minha vontade, meu corpo é o que é e ponto. Só me resta aceitar e aprender a amar, aos poucos mesmo, começar a enxergar as partes que gosto ao invés de apenas o que desgosto, coisas do tipo. E hoje, posso dizer que ,aos poucos, tenho aprendido a me gostar um pouquinho mais.
    :) Beijo!

    Blog Insaturada

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    1. A graça é exatamente se descobrir aos poucos e nesse processo, amar uma coisa nova todos os dias. É bom você olhar no espelho e descobrir que aquela parte talvez não seja tão feia só por que alguém te disse que era. Você pode ser o alguém que diz que aquilo é bonito, e ponto. Obrigado por compartilhar seu comentário com a gente <3

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  3. Olá, estou passando para avisar que enviei um artigo sobre Consciência Negra, caso não tenha recebido entre em contato pelo novo email contato@pontomakeup.com, enviarei novas propostas por ele. Beijos

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